Matando Idéias

Betas, descartes e testes.

Os imundos

Posted by manjivitor em fevereiro 24, 2009

Acordei tristemente um dia.
Vi um mundo doente com gente doentia.
A salvação batia a porta,
E era tão fácil atende-la
Mas o vendedor dizia,
Sua vida é vazia
E a terra há de come-la.

Existem cegos no mundo.
Nascidos mortos e vivendo moribundos.
Dando significados a vida,
Vivendo de forma evolutiva.
De si mesmos oriundos,
Vivendo para viver em outros mundos.
Dando à venda força ativa.

Velhos vultos vagando vendados no velho mundo.
Vidas vazias vendendo versões de vermes verdugos.

Acordei tristemente um dia.
Vi um mundo doente com gente doentia.
Vi cenas, vi praça, vi vontade e desgraça.
Vi vermes, vi cegos, vi doentes e traças.

Vi Anjos e vi sangue.
Vi sal e vi diamante.
Vi vergonha e vi defuntos.
E vi os imundos que habitam o mundo.

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Matando idéias

Posted by manjivitor em fevereiro 24, 2009

Mais um trabalho bem feito, seja lá o que isso quer dizer. Retiro o Carlton da carteira, ascendo, trago, e penso comigo mesmo, tenho que parar de fumar.

O defunto me encara, como quem encara uma vitrine sem saber de fato o que tem dentro. Confuso? Não tanto quanto a cabeça desse cara, espalhada por todo o carpete. O cheiro do sangue estaria alcançando minhas narinas agora, mas o cigarro impede. Vinte anos na força te ensinam coisas.

O reforço estará chegando daqui a pouco. Gerundismo? Devo estar realmente um caco. Não durmo a dias. Como sempre. Essa monotonia tira a graça do sono. Quando chegarem, será só mais uma vez que direi “defesa, ele partiu para cima de mim”.

Pobre homem. Queria brincar de bandido, mas não leu as regras do jogo. Achou que poderia se livrar de mim assim? Que depois de aceitar a grana eu seria a puta do papai? Não nessa cidade. Não na minha cidade.

A fumaça percorre todo o escuro quarto do hotel. O abajur quebrou quando eu o arremessei nele. As quatro balas na cabeça vieram depois para dizer, não haverá amanhã para você.

Matei algumas idéias. E quem não matou? Podem me culpar? O cara era um qualquer e sou quase imparcial ao dizer que nada sairia dele. Traficantes, eu os desprezo. Trazendo seus produtos e sub-produtos, suas sub-coisas, suas sub-mentes, suas sub-idéias. Como quem traz uma solução genial para um problema complexo de matemática. Queime-o.

Ouço as sirenes ao longe. Sempre tarde. Sempre fazendo alarde.

Meu cigarro chega ao final, arremesso-o no cinzeiro. Olho a carteira. Vazia. Que pena, trocaria três ou quatro traficantes por mais um. Afinal, mesmo que você bote fogo em um drogado, ele ainda vai ter gosto de merda no final.

Os policiais saem de seus carros lá em baixo. Hora de ir.

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