Matando Idéias

Betas, descartes e testes.

O Maestro

Posted by manjivitor em março 4, 2009

Sua pele é de um tom seco e sedoso.
Seus seios se movimentam enquanto respira ofegante.
Ela me olha fixamente. Olhos bem abertos.
Sua boca está entre-aberta, mas não pronuncia nenhuma palavra.
Está agitada por dentro, mas nenhum de seus membros se move.
Sem suor. E espero que fique assim.
Está nua. Olhando fixamente para mim.
– Você sabe o que é o amor? – Pergunto.
Não há resposta. Tudo bem, prefiro assim.
O ambiente não é dos mais reconfortantes. Mas é o suficiente para nós.
O teto é escuro. O chão também. Paredes cinza, com várias ferramentas penduradas.
Ela está ofegante. Olhando para mim.
Será que está com medo? Será sua primeira vez.
Só há uma mesa no meio da sala. Vai servir. Uma mesa em metal prateado.
Sinto vontade de beber umas doses de vodka. Sentir o calor no peito. Mas não posso perder esse momento em troca de um topor etílico.
– So close, no matter how far. – Eu canto baixinho.
Será sua primeira vez. Tudo tem quer ser perfeito.
Eu a olho deitada na mesa. Seu corpo nu. Pele quente sobre metal frio. Corpo perfeito.
Como será a orquestra dessa noite? Me pergunto.
Será que sou um grande maestro? Bom o suficiente para ela?
Será que seu corpo tocará a música que quero ouvir?
O momento se aproxima. E eu me aproximo dela.
Seus olhos vidrados em mim.
Um pequeno banco ao lado da mesa apóia minhas coisas.
Toco sua barriga com meu dedo indicador.
Ela recua.
Rápido de mais? Me pergunto.
Passo a mão em seus cabelos. Loiro bonito.
Ela começa a respirar mais ofegante. Está na hora.
Observo seu corpo nu. Mas não me excita. Só quero ouvir a música.
Abro minha bolsa sobre a cadeira. Tantas coisas. Mas gosto dessa.
Pego um bisturi de metal reluzente. Frio.
Ela me olha, parece sentir medo, mas não consigo senti-lo nela.
Boa garota. Será que irá gritar?
Apoio o bisturi, deixando a lamina para fora, assim não tocaria na mesa.
Ando em torno dela, apertando mais suas mãos, pernas e abdomem, mais fortes.
Ah! A música, já posso imaginar as notas.
Vejo seus olhos encherem de lágrimas, mas nenhuma cai. Acho aquilo tão bonito. Uma obra de arte.
Viva, uma obra viva olhando para mim. Seu corpo é uma escultura, uma escultura recheada de notas musicais.
Não vou tampar sua boca. Ela não vai gritar, sei disso. Espero isso.
Volto ao bisturi. Pego-o.
Olho a lâmina. Tão bonita. Mas é só uma ferramenta.
Me aproximo do rosto da garota, ela o vira. Achou que eu fosse beija-la? Haha, tão inocente nesse aspecto, tão bonita.
O barulho do mundo some lá fora da sala. Agora, tudo ali era meu templo.
Coloco a mão abaixo de seu seios e a seguro. Com a mão direita aproximo a lâmina de seu pescoço
Ouço a música bem longe. Vem dela.
Faço um pequeno corte em seu pescoço. Superficial.
Uma gota escorre de seu olho. Tão linda. Olhos lindos.
O sangue escorre lentamente. Uma bela nota. Preciso de mais.
Faço uma incisão profunda entre seus seios. Ela geme. O sangue escorre. Bastante sangue.
Lindo, belas notas. Bela música! Tão boa quanto esperei! Ouço a harmonia do arranjo que escorre ao lado de seus belos seios! Magnifico arranjo!
Corto seu braço agora em um movimento rápido! Ha! Lindo! O crescendo! Corto sua perna, ela geme! Haha, que música maravilhosa!
Faça uma profunda incisão no baixo torax. Deixando as costelas expostas. Magnifico som. Mais belo e afinado que mil harpas de anjos. Uma verdadeira orquestra flui de seus vazos. Perfeita a música. Daria mil vidas para poder ouvi-la para sempre!
Ela chora. Se engasga sozinha com o choro.
Linda! Linda! A Deusa!
Tomo cuidado para não tocar em seu sangue. Não quero estragar o concerto.
Fecho os olhos e ouço a música com atenção. É perfeita! Com a mão, agito o bisturi como um maestro.
E vai chegando ao fim. Só ouço choro agora. Ah… Me sinto otimo. Dizem que a música tem o poder de limpar a alma, e como tem, penso!
Abro os olhos. Lá está ela, sangrando na mesa. Não tanto quanto antes.
– Você é a melhor obra. – Digo. – Você é perfeita. A obra perfeita. Eu te amo.
– Por… – Ela cospe sangue.
Ela vai falar? Tudo bem, ainda estamos no intervalo.
– Me… Deixe – Mais sangue. – Ir… Por…
– Deixar você ir? – Pergunto. – Não. Não se sai no meio do concerto. Só estamos no primeiro ato.
Ela me olha com pavor. Maravilhosa em sua perfeição.
Olho o bisturi. Hora de começar. Me preparo como maestro, e sigo por toda a noite fazendo minha música.

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