Matando Idéias

Betas, descartes e testes.

Projeto Um – Capítulo Primeiro

Posted by manjivitor em fevereiro 26, 2009

A noite estava fria como todas as outras e o vento agitava a grama sempre que podia enquanto Edgard caminhava de volta para sua caseta depois de mais um dia de trabalho para sua Senhora.

A lua, tímida, se escondia atrás de uma nuvem acinzentada enquanto a casa Senhorial, uma grande mansão, fitava soberana o terreno gramado e a floresta ao fundo da pequena caseta, se estendendo para muito além da propriedade, que permanecia em silêncio como que esperando ver pelo menos uma estrela naquela noite nublada.

Pensava consigo mesmo. Havia limpado o primeiro andar inteiro da grande casa e pretendia começar o segundo pela manhã. Teria que dedicar uma maior tempo a prataria que já não era limpa a um bom tempo e poderia começar a enferrujar. Limparia as espadas, escudos e lanças da coleção também. Colocaria os longos tapetes no terraço com chão de pedra polida depois de lavados para secar. Teria que limpar as paredes por detrás das longas tapeçarias, presentes por todo o casarão e recebidas ou compradas em muitas épocas diferentes. Também organizaria novamente alguns livros da biblioteca que sua Senhora deixava sempre largados por toda a casa.

Enquanto caminhava para sua decrépita moradia, que exageradamente chamava de lar e que ficava aos fundos da propriedade de sua Senhora, ele já ouvia seu avô resmungando sozinho lá dentro. O velho Tess, como todos os chamavam, era pai do pai de Edgard e trabalhava para aquela linhagem desde criança.

Diziam que já estava louco de velhice, mas Edgard sentia que de alguma forma gostava muito de seu avô, mesmo que possuísse seus trejeitos loucos e senis, pois afinal era seu único parente vivo e, talvez no fundo de sua personalidade velhaca e irritadiça, morasse uma boa e agradável pessoa que evitava dar as caras.

Chegando próximo a sua caseta, ele já podia ouvir com clareza sobre o que eram os resmungos do velho dessa vez. Algo sobre o frio noturno que invadia sem dificuldades pelas paredes de pedra e parecia não querer mais sair dali. Velhaco enlouquecido, pensava, mas compartilhava de sua opinião sobre aquela casa.

Ambos aprenderam a ama-la independente de seus problemas, mas diferentemente de seu avô, ele a odiava também. Ódio esse não da casa em si, mas do que ela representava.

Edgard, soltando um sorriso debochado pelo canto da boca, como quem sente pena e graça de seu avô ao mesmo tempo, abre a porta e lembra-se tarde de mais de que a mesma estava com problemas. A porta pesada e de madeira ruim começa a cair e ele a segura desajeitado pelo susto e a coloca no lugar de volta depois de entrar, pensando que uma porta nova era mais que necessária. E afinal, por que não uma casa decente? Mesmo uma vida decente?

A caseta de apenas um comodo fora construída para os empregados da linhagem daquela propriedade muito tempo atrás, quando o musgo ainda era jovem e escalava tímido as paredes da mansão, e os ratos da cidade ainda eram poucos.

Possuía uma pequena lareira mal feita em pedras, agora escurecidas pelas chamas, que era suficiente para esquentar ligeiramente aquele comodo quase fétido, onde também eram preparadas as refeições; uma mesa de madeira envernizada que já não contava com seu verniz; par de camas forradas com um colchão rústico e um armário fixo de pedra talhada onde Edgard e seu avô guardavam não só seus pertences, mas também muitas ferramentas e utensílios de trabalho, poucos pratos de metais leves, garrafas de vidro e alguns poucos livros dentre outros objetos essenciais e abandonados, mas não suficientes.

A casa não só tinha aparência de velha e pobre, mas fedia a casa velha e pobre, provavelmente pelos anos de exposição a umidade daquela região montanhosa e florestal, a falta de limpeza regular, ao descaso e principalmente a falta de tempo de todos os que por ali já moraram.

– Se não vadiasse por todo o dia, rapazote molenga, teria tempo para consertar a porta e suas idéias – resmunga o velho magro de cabelos pretos, fracos, longos e embaraçados, fumando seu cachimbo feito de madeira ruim sentado à mesa de costas para a porta onde Edgard estava.

Quanto mais o tempo passa, mais ele fuma para passar o tempo, pensa o garoto sobre o velho.

– Por que não à conserta? Passa os dias fumando esta erva mal cheirosa e grosseira. Não faz mais do que estorvar – provoca o garoto, mesmo sabendo dos problemas de seu avô, e sentindo-se culpado emenda: – Iria fazer bem para sua saúde, Tess.

– Ah! Rapazote miserável! Trabalhei por toda a minha rala vida e agora que o peso acre da velhice me pegou, exige que eu trabalhe e me esforce ainda mais! – Protesta o velho gritando, cuspindo fumaça e gesticulando para o nada com a mão ossuda e enrugada.

– Um pouco de exercício não lhe fará mal, está doente, sabe disso – fala o garoto pousando a mão direita sobre o ombro do velho, o cumprimentando, e indo em direção a sua cama onde se deita ruidosamente, devido as armações antigas da mesma, e cruza os braços atrás da cabeça enquanto fita sem muito entusiasmo o teto mofado pelo tempo, imaginando que histórias teria ele para contar.

O velho solta um resmungo incompreensível junto com uma baforada de fumaça acre e depois de um tempo não vendo reação em seu neto dá uma batida com seu pé no pé da mesa, fazendo o prato metálico sobre ela sacudir e fazer barulho o suficiente para chamar a atenção.

Edgard se levanta de sua cama e vê um prato metálico parcialmente amassado, como de costume para aquela caseta, com comida e um copo com água em cima da mesa. Sente-se um pouco culpado por dizer que seu avô não faz nada e força um sorriso falso para não parecer desconcertado e sem graça, seguido de um “obrigado” que saiu desconfortável, mas justo, da boca.

O garoto então puxa a cadeira velhaca e senta-se à mesa com seu avô e começa a comer, com colheradas cheias, aquele prato de sopa rala de batatas e aproveita o momento para falar. – Amanha a noite trarei mais comida da despensa. Chega de batatas com gosto de ausência, vou trazer algo diferente e que nos mantenha de pé por mais que algumas horas. Alguns grãos e frutas talvez, enquanto não estragam. Melhor nós comermos do que sobrar.

– Batatas bastam para nós. Não deixe sua Senhora Samantha ver você tirando comida da despensa o tempo todo, como um humano desrespeitoso, vai acabar arranjando problemas para nós – fala o velho Tess olhando para o garoto já adolescente que vestia roupas frouxas, encardidas e deixava os longos cabelos pretos caírem sobre a mesa enquanto comia e emendou: – Se bem que a Senhora sempre fora desligada como a mãe. Mas um Senhor normal prefere dar comida aos porcos e aos gatos do mato ou deixar que estrague, do que alimentar um humano com mais do que ele precisa para manter sua miséria de pé e trabalhando.

– Não haverá problema algum, Samantha não ligará, sei que não – o velho faz uma cara de asco ao ouvir o nome nu de um Senhor sem o seu título prefixal e Edgard, ignorando o comentário implícito do velho, prossegue: – E se você não fosse tão orgulhoso poderíamos ter muito mais do que esta caseta fedida! Não são todos que tem ou terão a sorte de algum dia ter uma Senhora tão amigável!

– Ah! As pessoas vêem, Edgard! As pessoas sabem! Aprenda a ficar no teu lugar sozinho, ou terão que lhe ensinar! Vai acabar conseguindo problemas, se não com Senhora, com algum outro Senhor, seu tolo estupido! – Gritou o velho dando um murro na mesa, fazendo o prato de sopa de batatas, quase vazio, sacudir, e começando uma crise de tosse profunda, faz Edgard se levantar e ir até ele assustado.

– Já te disse para moderar! Você não é mais jovem – disse o garoto retirando o cachimbo das mãos do velho que ainda ofereceu resistência puxando-o de volta e mesmo durante a crise de tosse, que vinha se tornando cada vez mais freqüente, ainda tentou sem muito sucesso pronunciar: “Me solta!”.

A crise piora e a tosse começa a vir acompanhada de sangue. Edgard sem saber o que fazer corre e pega seu copo com água para Tess que agora já estava ao chão, caído e tossindo profundamente. O garoto ajoelha-se e tenta entregar a água para o avô, que vertia sangue pela boca e nariz, e o velho dá um tapa no copo derrubando-o.

Desesperado, Edgard levanta assustado pensando em talvez correr e chamar Samantha para ajuda-lo, mas vê a mão de Tess estendendo-se no ar, antecedendo sua ação, e agarrando sua camisa para que esperasse. Contestado e assustado ele então senta ao lado do avô e cobre a face com as mãos enquanto as lagrimas descem ao chão, dizendo não saberem o que fazer, a espera por uma melhora.

Depois de alguns minutos, e o fim da crise de tosse, o garoto limpa o sangue do chão com um pedaço de pano velho, e decide jogar fora sua roupa manchada mais tarde.

Ao terminar de limpar, Joga o pano em um balde de madeira e senta, sentindo-se esgotado e com a cabeça baixa, na cadeira mais próxima. Enquanto o velho, sentado em sua cama, treme devagar e respira pausadamente envolto até os ombros em um cobertor encardido.

Os pensamentos lhe invadiam a mente com freqüência. Edgard sabia que seu avô não viveria muito mais e ele ainda se recusava a ter qualquer ajuda médica que Samantha pudesse patrocinar vinda da cidade. Velho tolo! – Pensa Edgard. – Vai morrer pelo orgulho e não pela doença!

– Sabe garoto – diz o velho quebrando o silêncio depois de ter recuperado um pouco do ritmo de respiração. – Quando eu era jovem, Senhor Simon me levava com ele a grande feira central com freqüência. A linhagem não era muito rica ainda, então eles lucravam mais com a compra e venda de antiguidades. Livros de todos os tipos, esses mesmo que você gosta de ler, armas de guerra, tapetes e outras frivolidades de Senhor, sabe como é. E um dia, voltando deixei por acidente cair um livro e quando chegamos o Senhor Simon deu por falta, tive que voltar correndo para procurar o livro antes que outro alguém o encontrasse e o levasse dali – o velho faz uma pequena pausa para tossir, o que leva a cara de Edgard a empalidecer um pouco, mas que é parcialmente tranqüilizada por um sinal da mão de Tess dizendo que estava tudo bem, e continua lentamente: – Procurei o livro pelo caminho que passei, pela beirada do barranco da estrada e pela centro e não o achei. Procurei por todo o resto do dia.

– Quer mais água? – pergunta o garoto levantando-se para pegar mais.

– Bem, muito tempo depois então resolvi voltar para a casa pois já era noite e não poderia procurar muito mais para que o Senhor não achasse que eu havia fugido e então mandasse Guardas atrás de mim – prossegue o velho ignorando a pergunta de Edgard. – No caminho de volta, com medo da punição que iria levar por ter perdido o tal livro e por ter passado o dia procurando e não achado, acabei me desatentando, escorreguei e cai no barranco ao lado da estrada – o velho fez outra pausa, como que para buscar as lembranças na cabeça e prosseguiu.

– Quando cheguei lá em baixo, já ao lado de Forunatu, todo machucado e levantei a cabeça para ver onde estava, do meu lado havia uma menina toda suja me olhando escondida atrás de um arvore. Vendo que eu era humano conversamos e eu descobri que ela tinha fugido pela manhã e estava ali desde então escondida sem saber para onde ir. Perguntei a ela se ela não sabia que seria achada de qualquer forma e que seria melhor voltar por conta própria. E ela disse que não queria voltar nunca para seu dono que a espancava frequentemente e a usava como escrava de seus prazeres. Então decide levá-la comigo de volta para a estrada para conversarmos melhor, e ela me acompanhou preocupada em ser vista. Chegamos lá exaustos, e pela estrada vinha um Guarda Montado que chamou nossa atenção e ao vê-lo, Harth, tentou sair correndo. Sim, ela mesmo – comenta o velho ao ver que o nome chamara atenção de Edgard.

Tess aproveita a deixa para respirar um pouco e continua: – Mas bem, acabei segurando-a para que não tentasse fugir, era inútil e só pioraria a situação, ela sempre fora muito tola a pobre coitada. Então o Guarda nos levou presos amarrados ao cavalo para a cidade e chegando no centro, o dono de Harth estava esperando por ela. Seu castigo seria terrível, pois seu dono parecia muito transtornado. Ele entregou uma quantia de moedas para o Guarda pelo serviço e saiu levando embora a menina. O Guarda então, logo após, me perguntou de onde eu tinha fugido e expliquei-lhe toda a historia. O Guarda então me disse que se ninguém aparecesse até o amanhecer ele me venderia na feira e me levou amarrado ao cavalo em direção a prisão. Mas não foi preciso esperar muito – o velho ajeitou o cobertor e prosseguiu.

– Senhor Simon chegou algum tempo depois com a carta-de-posse e me levou embora. O castigo também era certo para mim. Mas no caminho de volta, tentei convencê-lo a comprar Harth. Ele disse então que precisava realmente de alguém que cuidasse da comida e perguntou se ela seria uma boa cozinheira. Mesmo não a conhecendo respondi que sim. E no outro dia logo após meu castigo, – nesse momento Tess mostra as cicatrizes por todo o braço direito que Edgard já havia visto muitas vezes e prossegue – fomos a feira e por sorte ele também foi e acabamos por nos encontrar. Indiquei ao Senhor Simon quem era o Senhor da garota, e ele foi lá e a comprou por pouco pois ela estava toda machucada. Foi assim que conheci a sua avó garoto – disse Tess tornando a respirar pausadamente.

Edgard olhava para o avô sem saber o porque de tudo aquilo e o que responder, mas o próprio velho continuou.

– A melhor parte da minha vida, percebe. Não há por que brigar de mais com ela. Deixa ela te levar, e talvez chegue a algum bom lugar, pois se atracar com ela nenhum proveito vai te trazer. Mas veja, agora no fim… O que eu tenho? Minha vida já se passou. Meu tempo se passou, estou velho. A vida não me reserva mais nada de bom, e depois de todos os meus desprazeres, não tenho mais por que me preocupar tanto. Todos tem seu tempo. Você vai aprender…

O garoto fica horrorizado com a frieza do avô em falar de forma tão direta sobre o assunto. Ele sabia que vida de seu avô não fora excepcional, mas relativamente boa para um humano se comparado a de outras pessoas.

Tess chegou em uma idade que poucos conseguiriam chegar. E assistiu toda sua família, com exceção do garoto, morrer sem que ele pudesse fazer nada. Não que outras pessoas pudessem fazer muito mais, mas o velho era o tipo de pessoa conformada que achava esperança um desperdício de tempo que poderia ser menos mal usado em outra coisa. E Edgard sabia que Tess possuía personalidade forte e cravejada, e que discutir com o velho era completamente inviável. Não havia como mudar sua opinião e no fundo ele sabia que seu avô não queria viver muito mais. Talvez tudo aquilo tenha sido uma despedida, ou uma tentativa de confortar o neto.

Um tempo se passou sem que ninguém dissesse ou fizesse nada e depois de conversar consigo mesmo, Edgard percebeu que não havia o que falar em voz alta. Não havia o que discutir. Seu avô não queria mais continuar, e ele sabia que não adiantaria nunca discutir com o velho. Então levantou-se mortificado e entregou o cachimbo ao velho Tess, depois virou-se sem olhar seu avô, caminhou, e deitou em sua cama, chorando em silêncio sem derramar lágrimas.”

Ouviu-se de leve o barulho da grande janela sendo aberta e Edgard foi retirado de seu sonho com um leve beijo em seu rosto. Ser acordado todo dia daquela forma era algo com que sempre devaneou durante muito tempo. Deitado em bons lençóis, em uma cama confortável, e ser acordado por sua amada.

Ele esperava um dia comum, mais de certa forma ocupado, indo ao centro vender e comprar alguns artefatos, passar em alguns bares, afim de encontrar mercadorias mais “seletas” e voltar para casa antes do almoço para ler um pouco. Durante a tarde ajudaria com algumas tarefas de que sentia falta como limpar algumas partes da casa, remover o pó da tapeçaria, e deixaria os trabalhos externos para Aetsen. A noite poderia descansar e vislumbrar sua facilidade com os negócios, os lucros do dia. Não que eles precisassem pois a herança da linhagem de Samantha era mais que suficiente, mas era um serviço do qual gostava muito. E antes de dormir poderia apreciar a companhia de sua amada que o encantava tanto.

– Se dormir mais que o sol, vai acabar sendo invejado por ele – disse uma suave voz que o homem, antes menino, apreciava ouvir. A voz que Edgard desejava ouvir para sempre.

– Já sou invejado pelo sol. Ele só te toca pela manhã, já eu posso toca-la por toda a noite – disse abrindo os olhos a tempo de ver sua amada, Samantha, ajoelhada ao lado dele na cama, esboçar um belo sorriso em resposta a seu elogio demasiado poético.

A mulher com quem queria passar o resto da vida. Rosto de traços finos, olhos verdes claros, longos cabelos loiros que lhe alcançavam os joelhos, um corpo delineado perfeito vestido em uma longa camisola que brilhava dourada com os raios de luz que invadiam o quarto por uma grande janela.

Samantha se inclina sobre Edgard passando a perna por cima da dele o deixando pressionado contra a cama e lhe beija os lábios. Pode sentir toda o corpo dela sobre o seu. Cada detalhe, os seios fartos por baixo da camisola; a maciez da pele; o cheiro de seus cabelos e o amor em seu beijo. Seu encanto era quase sobrenatural, e não deixava de ser.

– Vou preparar a comida, dorminhoco – diz ela saindo da cama se despedindo com mais um beijo nas bochechas, calçando suas sapatilhas acolchoadas e saindo do quarto pela porta.

Edgard se levanta, veste sua camisa de tecido branco e anda em direção a grande janela. Sente o vento frio da manhã entrar no quarto e deita o olhar sobre a caseta nos fundos recostada na grande floresta, que seus olhos mal conseguiam acompanhar. Ele se lembra de sua vida lá, do passado, de seu avô. Não tinha aquele sonho a muito tempo, um sonho recheado de lembranças e culpa. Muitas vezes Edgard imaginava se o sonho havia gerado aquelas lembranças, ou o contrário.

De qualquer forma, o velho havia morrido anos atrás, doente de fumo. Edgard havia sido acordado no meio da noite por um forte ataque de tosse de Tess, e ele já tão velho e doente que mal conseguia falar, sempre ofegante, acabou morrendo fraco pela perda de sangue de forma agonizante. Talvez seu corpo tenha resolvido dar um fim ao sofrimento. Quem vai saber, pensa.

Naquele passado, sentiu-se impotente em relação ao avô, pois nada podia fazer se não observar a agonia e abraçá-lo enquanto Tess vomitava sangue.

Tentou afastar os pensamentos, a culpa e as lembranças triste sobre ele da cabeça meditando sobre o seu dia, e o que teria que fazer. Depois algumas minutos, Samantha o chama à porta para ir comer. Sua vida havia de fato melhorado muito, e se o velho estivesse vivo talvez não tivesse ficado tão doente. Se culpava por não ter forçado um tratamento ao velho Tess. Dane-se sua loucura e orgulho!, pensava, sabendo que ele certamente recusaria qualquer tratamento como sempre recusou.

– Ed, vamos, vai acabar esfriando – disse ela ainda o esperando encostada na abertura da porta.

– Estava pensando sobre os livros, talvez devêssemos vender alguns da coleção – diz ele apenas para dizer algo, virando-se e indo em direção a porta. – Já lemos a maioria.

– Você é realmente ganancioso – fala ela beijando-o mais uma vez e saindo ambos em direção ao andar de baixo para comer.

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